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| • 30/04/2009 |
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| Para Luiz Carlos Barboza, diretor-técnico do SEBRAE, premiação nacional deu força ao MPE Brasil |
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• entrevistas
Brasília sediou o 6º Reconhecimento e Premiação Nacional às Micro e Pequenas Empresas no dia 16 de abril. O prêmio é uma iniciativa conjunta do MBC, SEBRAE, Grupo Gerdau, Petrobras e Fundação Nacional da Qualidade. Em entrevista à Newsletter do MBC, o diretor técnico do SEBRAE Nacional, Luiz Carlos Barbosa, fala sobre a importância da premiação para o setor e dos desafios das MPEs para 2009.
Qual o principal legado do Reconhecimento e Premiação Nacional para Micro e Pequenas Empresas? Entendo que a premiação nacional constitui-se em um estímulo à reflexão, à auto-avaliação dos negócios e do comportamento dos empreendedores, mediante aplicação de diagnóstico estruturado, atitude que dificilmente seria assumida de forma espontânea. A partir desse exercício, que proporciona “feedback” aos que participam do Prêmio, abrem-se portas para a identificação e a eliminação de pontos fracos ou inadequados dos processos gerenciais das MPEs, assim como se evidenciam carências que podem ser minimizadas ou eliminadas pela busca de capacitações e de consultorias.
O Prêmio é instrumento efetivo de promoção e difusão da cultura do diagnóstico empresarial, da medição e da comparação de resultados obtidos pelas empresas, fatores indispensáveis na busca de patamares superiores de competitividade.
Em suma, o legado do Reconhecimento Nacional tem a ver com o impacto positivo diretamente gerado pelo Prêmio no desempenho das MPEs dele participantes. Elas passam a ser agentes multiplicadores de comportamentos que conduzem à maior competitividade dos segmentos de negócios em que atuam. O Prêmio induz à “contaminação” positiva de boas práticas de gestão empreendedora. Instala-se uma cultura de busca da excelência empresarial em dezenas de milhares de pequenas empresas espalhadas por todo o Brasil.
A grande novidade da edição 2008 foi o fato de o prêmio ser em âmbito nacional. Qual a importância dessa unificação das premiações estaduais do MPE Brasil? O Prêmio ganhou força, maior visibilidade, escala e valorização. A articulação dos diversos cronogramas e calendários das premiações estaduais, fazendo-os convergir para a premiação nacional, permitiu campanha de divulgação ampla do certame, que passou a ter apenas um título: MPE Brasil – Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas. Como resultado, conseguiu-se um maior número de empresas e de segmentos de negócios participantes do evento.
As empresas premiadas passaram a ter reconhecimento em nível nacional, obtendo maiores retornos em termos de marketing, antes limitados pela segmentação do Prêmio em diversas iniciativas de âmbito estadual. Receber premiação em escala nacional abre perspectivas de relacionamentos e de negócios em termos ampliados para as empresas vencedoras, o que certamente resultará em maior número de inscrições nas próximas versões do Prêmio. E é isso mesmo que o SEBRAE e os parceiros desejam e buscam incessantemente.
Como o senhor avalia o atual momento da economia para as MPEs? O SEBRAE tem procurado acompanhar os possíveis impactos da crise sobre o desempenho das MPEs. Os dados revelam que cerca de 70% das MPEs tiveram alguma redução de vendas no período mais crítico. Ou seja, de setembro a fevereiro. Isso ocorreu de forma heterogênea quando se observa setores e estados. Já em relação ao emprego, um percentual muito menor, cerca de 30% delas, efetuou demissões. É uma porcentagem muito menor do que ocorreu nas médias e grandes empresas.
As MPEs se mostram otimistas em relação ao ano de 2009 já que quase 80% delas acreditam que terão resultados bons ou muito bons este ano. É verdade que esse desempenho dependerá de como a crise se comportará nos próximos meses. Estamos monitorando os impactos dela para propor as medidas possíveis, bem como para adequar o sistema de orientação e de capacitação das MPEs.
Quais são os principais critérios adotados pelo MPE Brasil para avaliar uma boa gestão? São utilizados critérios integrantes do Modelo de Excelência em Gestão da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), com base nos 11 Fundamentos da Excelência reconhecidos internacionalmente. A aplicação desses conceitos ocorre de forma cuidadosa, procurando levar em consideração as características específicas das MPEs.
Quais são esses fundamentos? Pensamento sistêmico; aprendizado organizacional; cultura da inovação; liderança e constância de propósitos; orientação por processos e informações; visão de futuro; geração de valor; valorização de pessoas e desenvolvimento de parcerias. Pode-se observar que tais critérios compreendem duas dimensões fundamentais para se chegar à boa gestão: a utilização de indicadores técnicos e de ferramentas gerenciais consagradas para monitorar o desempenho dos negócios.
Quais são essas ferramentas? Índices de rentabilidade e de lucratividade; ponto de equilíbrio; “payback” e controle do fluxo de caixa, entre outros. O SEBRAE tem valorizado e difundido de forma intensa também características comportamentais que definem o perfil do empreendedor com maiores possibilidades de sucesso. Por exemplo, comprometimento com os objetivos do negócio, compromisso com a qualidade dos produtos e serviços ofertados, persistência, capacidade para estabelecer metas adequadas, busca permanente de informação, valorização de rede de contatos, etc.
Qual a avaliação do SEBRAE em relação ao nível de competitividade e inovação nas micro e pequenas empresas no Brasil? As MPEs são predominantemente supridoras do mercado interno, o que ainda lhes permite operar com níveis de competitividade e de inovação relativamente baixos se comparados aos padrões exigidos pelo mercado globalizado. Mas, sem dúvida, na medida em que a economia brasileira passou a experimentar maiores níveis de inserção internacional, tanto nas exportações e principalmente nas importações, alguns segmentos foram mais desafiados e passaram a conviver com maior competição. Nas MPEs que fazem parte de cadeias produtivas onde a concorrência é mais acirrada, o nível de competitividade e de inovação é mais percebido.
A pesquisa GEM 2008, recém divulgada pelo SEBRAE, apresenta quadro comparativo de três categorias de empresas existentes no Brasil, tomando como parâmetro características de inovação nos empreendimentos.
Quais são essas características? São três: empreendimentos não-inovadores; empreendimentos com capacidade de inovação intermediária e empreendimentos inovadores. A partir dessa comparação, constatou-se que, em nosso país, 80% dos empreendedores por oportunidade (de mercado) e 90% dos empreendedores por necessidade afirmaram que seus produtos não são considerados novos no mercado. Portanto, enquadram-se na categoria “não-inovadores”. Ou seja, são empreendedores cuja estratégia empresarial é essencialmente a de suprimento de mercados muito locais.
Ainda segundo a Pesquisa GEM 2008, a maioria de empreendedores que utilizam tecnologias já difundidas e conhecidas, instala-se em atividades de fácil acesso, sem barreiras de entrada, que exigem baixos investimentos em capital fixo e cujas atividades representam menores riscos.
Outro aspecto importante indicado pela Pesquisa alerta para o fato de que a baixa capacidade de inovação dos empreendedores brasileiros é também explicada pela reduzida expectativa que eles têm de exportar seus produtos: 85% dos empreendedores não possuem tal expectativa.
Somente 2,5% do valor total das exportações brasileiras, segundo pesquisa SEBRAE/Funcex, são realizadas diretamente pelas MPEs. Outra fonte importante é a PINTEC, pesquisa de inovação do IBGE, que mostra que ainda é baixo o número de pequenas empresas inovadoras. Todos esses indicadores revelam quanto ainda temos a percorrer para elevarmos o patamar de competitividade e de inovação nas MPEs brasileiras. São desafios que o SEBRAE e diversas outras instituições estão trabalhando ativamente para superar.
Perfil Luiz Carlos Barbosa é formado em Administração de Empresas pela FGV São Paulo e tem pós-graduação pela COPPEAD/UFRJ. É autor de diversos estudos publicados nos Estados Unidos e Europa sobre competitividade e pequenos negócios.
Fonte: MBC
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